Merkozy y Papasconi

Desde Madrid, mais concretamente desde La Vanguardia e por Enric Juliana (vice director do respectivo jornal e um dos melhores colunistas de Espanha) Portugal é visto como o pecador desesperado em busca da salvação.

Los portugueses están aceptando la economía de guerra de la troika (UE, FMI y BCE) porque quieren seguir formando parte del primer círculo europeo. Acatan, por alto que sea el precio. Portugal sabe que se juega su supervivencia como nación independiente.”

Nem mais, simples e claro. Alguém quer comentar a nossa “normal” situação? Estamos realmente a jogar a nossa independência como país? Ou até isso já está perdido…? Ou é um simples exagero?

aqui o artigo complecto:

Merkozy y Papasconi.

(este artigo foi escrito de acordo, com algumas excepções, com o anterior acordo ortográfico português-vendo-me-ao-brasileiro-rico) 

Nuno Margalho,

Barcelona

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Será saber perder mais fácil que saber ganhar?

Portugal passou há uns dias por aquelas que foram provavelmente as mais importantes eleições desde o 25 de Abril. O momento particularmente difícil que o país atravessa exigia dos candidatos a primeiros-ministros um nível de resposta jamais requerido.

A Passos Coelho pede-se que nos dê aquilo que ainda não sabemos se nos poderá dar. A Sócrates pedia-se não só que nos desse bem mais do que nos deu nos últimos 6 anos, como também que tratasse os outros (cidadãos e restantes políticos) de forma leal. Ignorar os seus parceiros de uma forma tão evidente no processo de negociação do PEC IV foi um erro do qual até os seus eleitores se aperceberam.

Desde esse momento que tivemos a confirmação das suspeitas de alguns indícios que foram aparecendo ao longo dos seus mandatos. Até na resposta à derrota. O seu modelo de governação é demasiado centrado em si mesmo e aceita muito poucas interferências exteriores.

Se esta forma de estar o prejudicou há uns meses atrás, neste momento confere-lhe uma saída de palco digna. A sua inédita demissão só pode ser entendido como uma total assumpção de responsabilidade na derrota do PS. Ao sair desta forma Sócrates deixa aberta a porta a uma nova liderança que só poderá ganhar com o seu afastamento. Sócrates soube perder.

Todos sabemos e ouvimos repetidamente ao longo da campanha que de uma ou de outra forma os principais partidos teriam que se entender. E apesar da expressividade dos números finais, PSD e PP têm a possibilidade, se assim o entenderem, de abrir uma porta à esquerda e de uma ou outra forma promover uma governação integrada.

A campanha foi desastrosa no que diz respeito ao convívio entre partidos, não foi um campanha saudável, vários episódios pouco dignos e fora do normal marcaram os 15 dias. Foi uma campanha que não satisfez os cidadãos que se manifestaram de uma forma muito mais incisiva do que é habitual, e os resultados estão à vista: 40% de abstenção. É o momento de os políticos se aperceberem que não são só os cidadãos, os responsáveis pelos níveis de abstenção. Há boa gente que pura e simplesmente não vota porque deixou de acreditar na capacidade dos políticos para resolver os graves problemas que atravessamos. Esta seria sem dúvida uma excelente oportunidade de estes recuperarem alguma da sua credibilidade.

Nenhum partido é o dono da razão e todos têm bons e maus interpretes. Juntar os melhores de cada parte, ou qualquer outra tentativa no sentido de concertar as várias ideologias seria certamente bem vista e bem aceite pelos portugueses. Uma brisa de ar fresco.

Seria também uma excelente oportunidade de dar um sinal claríssimo “aos mercados” de que somos capazes de construir consensos para governar o nosso futuro.

E isso só depende de Passos Coelho e Paulo Portas, porque o actor principal, causador de tantos atritos já saiu de cena porque soube perder.

A pergunta que se coloca agora é se Passos saberá ganhar.

José Silva

Lisboa

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Portugal sempre foi um país de emigrantes. Toda a gente o sabe. Desde a época dos descobrimentos ao boom da emigração desde finais do séc. XIX um pouco por todo o mundo, sempre nos voltámos para o exterior. Coincidência ou apenas a prova de que o nosso “condado” é demasiado pequeno?

O perfil do emigrante pode ter mudado, com certeza que sim. Mas será que a motivação subjacente a quem o faz terá mudado assim tanto? Não creio. O motivo foi e sempre será relacionado com a falta de oportunidades para o desenvolvimento profissional e de criação de boas condições de vida familiar. O que outrora foram gerações dedicadas a actividades de capital intensivo como a construção civil, transportes ou agro-pecuária, no passado recente a história diz que tem sido uma importante parte da nossa mão-de-obra jovem e altamente especializada, a fazer as malas. E isso é triste. Mas o que se vive hoje me dia é muito pior que uma simples emigração acelerada.

Olho para trás para os mais de 4 anos desde que me mudei para Londres e vejo no entanto diferenças assinaláveis no contexto que se vive. A começar, e mais importante que tudo, pelo facto de que enquanto eu procurei a mudança assente em convicções pessoais fortes e desejos de experimentar e passar por outras vivências, hoje em dia há toneladas de portugueses a procurar outras paragens porque pura e simplesmente não têm qualquer perspectiva profissional em terras lusas. E isso tanto pode ser a busca do emprego que tarda em aparecer, ou a oportudidade de abraçar o desafio que se realmente dejesa e sempre se procurou.

Por isto é que a meu ver, antes de discutir o papel do emigrante, há que discutir o papel de Portugal como um todo, um país que teima em expulsar jovens talentos, um país que tarda em colocar um termo à continuidade, a “mais do mesmo”. Um país mergulhado numa crise anunciada, uma crise que não vem de agora, não vem de Sócrates como também não veio de quem lhe antecedeu. Só quem não quer ver é que não admite que desde a adesão à União Europeia, era eu criança, que vivemos acima das nossas capacidades. Sempre gastamos mais do que produzimos. Todos os politicos, PS ou PSD, ninguém tem desculpa. E hoje, à beira de novas eleições, pergunto-me se temos mesmo de continuar a viver com as mesmas caras? Porque será que não aparece ninguém diferente, arrojado e inovador? Porque será que ninguém coloca o interesse nacional acima da luta mesquinha por mais ou menos voto?

Será esse papel que resta ao emigrante? Penso que não, pois emigrante que se preze pensará cada vez mais em continuar por fora…

Ricardo Vasconcelos Dias

Londres

Publicado em n.º 1 - O Papel dos Emigrantes | 1 Comentário

Dever de uns Poder de outros

O estado deve ser encarado como uma associação gigante que tem com objectivo único trabalhar para melhorar a qualidade de vida dos seus associados/cidadãos. Para que uma associação funcione bem são necessárias duas coisas. Que haja uma direcção ética e tecnicamente capaz, comprometida com o fim referido anteriormente (DEVER) e que por outro lado hajam uns cidadãos atentos e descomplexados na defesa das pautas que devem marcar o desenvolvimento da sua sociedade (PODER).

Estado e Direcção, Cidadão e Associado, são partes sinónimas de um mesmo sistema em que uns são eleitos para executar um plano escrutinado por outros. Um plano que tem de ser claro, compreensível por todos para que o voto possa ser consciente mas principalmente responsável, porque o cidadão/associado tem a responsabilidade de aferir a concretização do rumo previamente estabelecido e de reagir caso essa concretização não se verifique. Reagir, manifestar-se, seja de que maneira for para fazer ver que o caminho adoptado não corresponde ao rumo que foi o acordado.

Este direito afinal é uma responsabilidade, e isso muitas vezes é esquecido. Para se poder exigir é preciso ser exigente. É necessário orquestrar uma base sólida para se poder requerer sob pena de se ser ignorado ou menosprezado.

É isso que se pede às iniciativas sociais que nos próximos tempos vão exigir.

Para mais informação:

http://publico.pt/Sociedade/protestos-de-rua-nascidos-na-internet-no-proximo-fimdesemana-em-lisboa-e-no-porto_1493480

http://geracaoenrascada.wordpress.com/

http://15maio.blogspot.com/

http://www.facebook.com/event.php?eid=113907405359778

https://www.facebook.com/home.php?sk=group_195680750476187

José Silva

Lisboa

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Portugal Visto de Fora

É com renovado entusiasmo que vos saúdo! Espero que este ano se tenha iniciado de feição, muito embora a conjuntura global não seja a melhor. Ainda assim, são os desafios que nos motivam e quanto maior a dificuldade, maior a resistência.

Pois bem, e é de desafios que vos venho falar. O projecto Portugal Visto de Fora, parado por alguns tempos, resistiu e pretende agora começar a concretizar-se. Sem vos fazer perder muito tempo, este e-mail é um convite para fazerem parte desta ideia.

Esta ideia baseia-se simplesmente num blogue, onde periodicamente se publicam artigos. É um movimento que nasce de um grupo de pessoas que vivendo fora de Portugal não deixou de ter uma atenção critica sobre a realidade portuguesa. Livre de amarras partidárias, ou outras, tem em cada cidadão, ou colaborador a sua principal, para não dizer única força.

Por ser transversal, não tem ideologia politica definida. Não pretendemos ser de esquerda ou de direita (se esta terminologia ainda estiver actual…), ou monárquicos ou republicanos. Portugal Visto de Fora é simplesmente um espaço onde se pretende trocar ideias, visões e criticas da realidade portuguesa. Uma espécie de nova Ágora, onde cada um possa dizer, de acordo com as suas convicções, a sua visão.

Por ser assim, um exercício livre, também queremos que seja exigente. Que o que seja publicado não seja apenas argumentos sem suporte ou sem consistência. Cada um será obviamente responsável pelo seu artigo. Acreditamos sinceramente, que com o teu espírito crítico e a tua exigência argumentativa possamos ter um blogue com qualidade onde tenhamos prazer de participar. Este projecto, é antes de mais, vosso.

Sem mais demoras, podem desde já enviar os vossos artigos para: portugalvistodefora@gmail.com

Os artigos podem ser em vários formatos, desde que sejam passíveis de publicação num blogue. Escrita, fotografia, vídeo o que quiserem. Quanto ao conteúdo, é livre, desde que estejam ligados a uma realidade portuguesa. Desde questões globais ou filosóficas, até questões concretas ou locais o importante é que estabeleçam uma ligação entre onde estão e o Portugal onde estiveram.

Se preferirem podem apenas enviar um e-mail comunicando a vossa intenção de colaborar com esta ideia. Pedia-vos assim, que nos enviassem o vosso nome e cidade que actualmente residem. Se quiserem acrescentar mais alguma informação sobre vocês melhor.

Se tiverem alguma dúvida, não hesitem em contactar.

Esperamos sinceramente poder contar convosco.

Abraço

Nuno Margalho

PVdF

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